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OSS: o desastre anunciado da terceirização na saúde pública.


05-02-2026 10:28 -

Servidores públicos do Hospital Regional de Cáceres procuraram o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (SISMA-MT) para denunciar uma situação considerada gravíssima após a terceirização da gestão da unidade por uma Organização Social de Saúde (OSS), a empresa AGIR. As denúncias, que também começaram a ser expostas pela imprensa local, apontam falhas estruturais, falta de profissionais, ausência de responsáveis técnicos e riscos concretos à vida de pacientes.


De acordo com os relatos recebidos pelo sindicato, pacientes estariam ficando até quatro dias sem banho, sem medicação em horários adequados e sem a assistência mínima necessária. Em setores como o anexo do São Luís, servidores relataram que, em determinado dia, quase dez horas da manhã, cerca de 12 pacientes ainda não haviam sido medicados. Em outra denúncia considerada ainda mais alarmante, uma UTI com aproximadamente 20 pacientes estaria funcionando com apenas dois técnicos de enfermagem e nenhum enfermeiro, quando o mínimo exigido seria muito superior.


Os servidores denunciam que a empresa(AGIR) responsável assumiu a unidade sem realizar uma transição adequada, promovendo demissões em massa de profissionais experientes e colocando no lugar trabalhadores sem o devido treinamento ou vivência hospitalar. Segundo os relatos, o processo seletivo conduzido pela OSS (AGIR) teria sido feito de forma desorganizada e sem planejamento por setores ou etapas, resultando em déficit de pessoal em praticamente todas as áreas do hospital.


Outro ponto denunciado é a ausência de responsáveis da empresa. Servidores afirmam que, diante das situações críticas, não sabem a quem reportar para tomar decisões, orientar equipes ou responder pelas falhas. Com isso, a responsabilidade de manter os setores funcionando acaba recaindo sobre os servidores de carreira, que vêm assumindo jornadas exaustivas e acumulando funções para evitar o colapso no atendimento.


Para o SISMA-MT, o cenário confirma um alerta feito há anos: a terceirização por meio de OSS não resolve os problemas estruturais da saúde pública e, quando implementada sem planejamento e diálogo, aprofunda o caos. O sindicato destaca que a saúde não pode ser tratada como experimento administrativo, pois envolve vidas, trabalhadores e uma população que depende exclusivamente do SUS.


Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público já foi acionado, bem como os órgãos fiscalizadores. O SISMA-MT informou que está reunindo documentos, relatos e registros para formalizar todas as denúncias e cobrar providências urgentes dos órgãos de controle e do Governo do Estado. “Não podemos aceitar condições desumanas nem para os servidores, nem para a população. A saúde pública exige responsabilidade, planejamento e respeito”, reforça o presidente do SISMA-MT, Carlos Mesquita.


O SISMA-MT seguirá acompanhando o caso de perto, dando visibilidade às denúncias e cobrando a responsabilização da empresa (AGIR) e do Estado. Para o sindicato, o que está acontecendo em Cáceres é um alerta grave sobre os riscos da terceirização sem critérios e sem compromisso com o interesse público.


Foto: SECON-MT


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