FOTO: SECOM GOV MT
A falta de profissionais na rede pública de saúde de Mato Grosso voltou a ganhar destaque após o Ministério Público Federal (MPF) abrir investigação para apurar o déficit de trabalhadores em unidade hospitalar do estado. A apuração teve origem em denúncias que apontam um cenário considerado grave, com escassez de enfermeiros, técnicos e outros profissionais essenciais ao funcionamento dos serviços.
De acordo com as informações, o déficit de recursos humanos compromete diretamente o atendimento à população, gerando sobrecarga nas equipes, risco à segurança dos pacientes e dificuldades na continuidade dos serviços de saúde.
O problema, no entanto, não é isolado. Em diferentes regiões de Mato Grosso, levantamentos apontam falta de dezenas de profissionais, incluindo enfermeiros e técnicos de enfermagem, além de áreas estratégicas sem cobertura adequada. Em alguns casos, a ausência de equipes completas já resultou até mesmo no bloqueio de leitos e na limitação de atendimentos.
Para o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (SISMA-MT), a situação apenas confirma um problema que vem sendo denunciado há anos. O sindicato tem atuado por meio de ações jurídicas e posicionamentos institucionais, alertando para a falta de servidores efetivos na rede estadual e os impactos diretos dessa realidade no funcionamento do SUS.
Segundo o SISMA-MT, o cenário é ainda mais preocupante diante da existência de candidatos aprovados em concurso público vigente que ainda não foram convocados. Para a entidade, a não nomeação desses profissionais evidencia uma política equivocada de gestão de pessoal, que acaba recorrendo a contratações temporárias e terceirizações em vez de fortalecer o quadro efetivo.
O sindicato também reforça seu posicionamento contrário à terceirização e à precarização das relações de trabalho na saúde pública. Para o SISMA, esse modelo não resolve o problema estrutural da falta de profissionais e ainda compromete a qualidade do atendimento, sobrecarregando os servidores de carreira e fragilizando o serviço prestado à população.
“A saúde pública precisa de planejamento, concurso público e valorização dos servidores. O que estamos vendo é um modelo que não garante estabilidade nas equipes e impacta diretamente quem mais precisa do SUS, que é a população”, reforça a entidade.
Diante das investigações em andamento, o SISMA-MT afirma que seguirá acompanhando o caso e cobrando soluções efetivas do governo do estado, incluindo a convocação dos aprovados, a recomposição do quadro de servidores e o fim de políticas que precarizam o serviço público.
Para o sindicato, garantir profissionais suficientes, qualificados e valorizados não é apenas uma pauta da categoria, mas uma condição essencial para assegurar atendimento digno e de qualidade em todo o estado de Mato Grosso.