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Mesmo com déficit de profissionais, servidores da saúde realizam cirurgia inédita no SUS em Sinop


23-03-2026 10:06 - ASSESSORIA SISMA MT

O Hospital Regional de Sinop voltou a ser destaque em Mato Grosso após a realização de uma cirurgia inédita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), demonstrando a capacidade técnica e o compromisso dos servidores públicos da saúde, mesmo diante de um cenário de falta de profissionais na unidade.


O procedimento, uma talamotomia estereotáxica — técnica avançada de neurocirurgia funcional — foi realizado com sucesso em uma paciente de 58 anos que sofria há mais de 20 anos com tremores severos. A cirurgia devolveu à paciente a autonomia para realizar atividades simples, como se alimentar sozinha, representando um avanço significativo na qualidade de vida.


A complexidade do procedimento chama atenção: a cirurgia foi realizada com a paciente acordada e envolveu uma equipe multiprofissional altamente qualificada, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos, evidenciando o alto nível dos profissionais que atuam na rede pública estadual.


O resultado positivo, no entanto, contrasta com a realidade enfrentada pela própria unidade. Nesta mesma semana, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a falta de profissionais no hospital, após denúncias e relatórios de fiscalização apontarem um déficit significativo de enfermeiros, técnicos de enfermagem e farmacêuticos.


Dados levantados por órgãos de fiscalização indicam a ausência de dezenas de profissionais, incluindo cerca de 39 enfermeiros e 71 técnicos de enfermagem, além de falhas na cobertura farmacêutica, especialmente no período noturno, situação que pode comprometer diretamente o atendimento e colocar pacientes em risco.


Diante desse cenário, o que se evidencia é o esforço diário dos servidores públicos da saúde, que, mesmo com equipes reduzidas e sobrecarga de trabalho, seguem garantindo atendimento à população e, como demonstrado, realizando procedimentos de alta complexidade no SUS.


Para o SISMA-MT, o caso reforça uma realidade já denunciada pelo sindicato: a falta de profissionais não é um problema pontual, mas estrutural em diversas unidades do estado. Ainda assim, são os servidores efetivos que sustentam o funcionamento do sistema, garantindo que a população continue sendo atendida.


O sindicato destaca que resultados como esse comprovam que não é a terceirização que resolve os problemas da saúde pública, mas sim o investimento em servidores concursados, valorizados e com condições adequadas de trabalho.


A situação também reacende o debate sobre a necessidade de convocação dos aprovados em concursos públicos, como forma de recompor o quadro de profissionais e garantir atendimento digno à população.


Mesmo diante das dificuldades, os servidores seguem dando exemplo. Entre limitações estruturais e falta de pessoal, são eles que fazem o SUS acontecer todos os dias em Mato Grosso.

Foto: Reprodução Internet


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