De acordo com a denúncia, o hospital enfrenta um déficit histórico de servidores, que chegou a cerca de 140 profissionais, principalmente na área de enfermagem. Esse quadro impactou diretamente o funcionamento da unidade, levando ao fechamento de leitos e até à suspensão de cirurgias eletivas em determinados períodos.
Mesmo sendo referência regional para atendimentos de média e alta complexidade, incluindo casos de urgência, traumatologia e gestação de alto risco, a unidade operou com estrutura insuficiente para atender a demanda. Em alguns momentos, setores essenciais funcionaram com número de profissionais abaixo do mínimo recomendado, aumentando o risco de falhas no atendimento.
A ação também aponta falhas graves na assistência obstétrica, pediátrica e neonatal. Houve períodos em que não havia pediatra ou neonatologista dedicados aos partos, situação considerada incompatível com a complexidade dos atendimentos realizados na unidade.
Além da falta de pessoal, o Ministério Público identificou problemas estruturais no hospital, como infiltrações, rachaduras, falta de climatização, ausência de água em setores e condições inadequadas de higiene, levantando inclusive riscos sanitários e de segurança para pacientes e trabalhadores.
Diante desse cenário, o MPMT pede que o Estado apresente um plano de reestruturação completo da unidade, incluindo recomposição do quadro de servidores, reabertura de leitos, melhorias na estrutura física e garantia de atendimento adequado nas áreas mais sensíveis.
Para o SISMA-MT, a ação confirma um problema que o sindicato vem denunciando há anos: a falta de servidores efetivos e o abandono do planejamento adequado na saúde pública. O sindicato reforça que há profissionais aprovados em concurso público aguardando convocação, enquanto unidades seguem operando com déficit de pessoal.
O SISMA também destaca que a terceirização e a precarização das relações de trabalho não resolvem o problema estrutural da saúde. Pelo contrário, agravam a instabilidade das equipes e comprometem a qualidade do atendimento prestado à população.
“O que estamos vendo é o reflexo direto da falta de investimento em servidores efetivos. A saúde pública precisa de concurso, planejamento e valorização dos profissionais. Não é possível aceitar que hospitais funcionem nessas condições, colocando em risco servidores e pacientes”, reforça o posicionamento do sindicato.
O caso do Hospital Regional de Sorriso escancara uma realidade que não é isolada no estado. Para o SISMA-MT, é urgente que o governo enfrente o problema de forma estrutural, com a convocação dos aprovados, recomposição das equipes e garantia de condições dignas de trabalho.
A luta do sindicato segue firme: por respeito aos servidores e por um SUS forte, capaz de atender a população com qualidade, segurança e dignidade.